
Essa semana mesmo observando da janela do meu apartamento tive uma visão que já está se tornando corriqueira para mim – ver um casal de pardaizinhos montarem o seu ninho. Toda hora vejo o pardalzinho carregar um galhinho de lá para cá para encaixar cuidadosamente na sua casinha. Às vezes eles juntam pedacinhos de tecido, corda, cartolina enfim, o que eles encontram disponível pelas ruas de um subúrbio de cidade grande. Mas dessa vez, o graveto que o meu amiguinho levava no bico era grande demais para o seu lar, isso eu percebi na hora. Ele tentou uma vez, então tentou outra e após uma nova tentativa frustrada, seu cérebro compreendeu que algo não se encaixava. Sem pestanejar, o pardalzinho jogou o graveto grande fora e voou em busca de um graveto adequado para a sua casa.
Curioso, desci até a rua e me aproximei do ninho achando o graveto no chão. Não havia uma marca ou falha aparente nele. Um galho perfeito mas grande demais. Eu rolei o graveto entre os meus dedos e pensei em todas as vezes em que dei duro me esforçando em fazer grandes coisas se ajustarem na minha vida.
Muito amiúde, o que nós desejamos é como esse graveto – coisas grandes demais para o nosso usofruto. Ainda assim, ficamos presos com insatisfação, nos agarrando a algo que não completa o nosso ninho. Foi para mim um ensinamento de humildade observar este pequeno pássaro trabalhar, deixando para trás o que não seria ideal usar à medida em que prosseguia cantando.
O blog Minha Mestria é como aquele ninho pensei. Franqueia o pouso a todos os que voam nas asas da imaginação e garante o local seguro para o repouso merecido após um período de intenso labor. É deste ninho que podemos vislumbrar a paisagem que se ergue ao nosso redor e é dentro deste ninho que podemos avaliar o quanto percorremos em nossa jornada e o quanto ainda nos falta trilhar. É deste ninho que compatilhamos nossas experiências e elaboramos planos e traçamos rumos para prosseguirmos em nossa jornada na próxima alvorada de nossas vidas. A partir desse ninho cada um se erguerá, referto de esperanças e novos ideais, e alçará vôo nas mais diferentes direções, o destino importando menos do que a arte de aprender a voar e se manter em equilíbrio em pleno vôo.
Nesse momento delicado, em que o ninho tem suas estruturas abaladas, devemos todos nos perguntar que gravetos estamos colocando no nosso ninho. São quatro mil passarinhos pousando nele todos os dias. Boa parte com galhinhos nos bicos, alguns de passagem, contabilizando do ninho algum galho para levar para a sua própria morada, outros querendo contribuir dentro das suas possibilidades com uma galhinho pequeno como uma palavra, outros grandes demais como palavrões. Todos querem contribuir, deixar alguma marca, alguma impressão, repousarem, alguns tocarem bicos amáveis, outros bicadas dolorosas. Alguns deixam as suas assinaturas fisiológicas no ninho ao passo que outros deixam tufos de penas. Outros pousam, repousam e alçam vôo sem deixar traço algum. Alguns dos que pousam são como pardais e outros aves de rapina. Mas tudo o que acontece no ninho é natural pois tudo está ornitologicamente de acordo com a natureza dos pássaros. Se queremos atingir a Mestria Anthonio devemos ser como pássaros que acima de tudo amam e adoram observar outros pássaros. Não devemos avaliar o comportamento mas estudar e aprender sobre o comportamento uns dos outros. É assim que alcançaremos a mestria no vôo para alçarmos a alturas com as quais jamais havíamos sonhado.
A nós, que nos servimos do ninho erguido pelo nosso irmão, compete-nos individual e coletivamente ponderarmos - Que gravetos estamos levando em nossos bicos? Que material estamos usando para a construção de nossos próprios lares? Que tipo de ninho estamos criando... ou depredando? De que outros ninhos iremos solertemente nos aproveitar retirando-lhes os galhos para estruturar o nosso próprio ninho?
Nada de grave ainda aconteceu ao ninho, ponderam uns, porque destruí-lo? Nenhum vento soçobra suas estruturas, nenhum incêndio consome-lhe atrozmente o madeirame, nenhuma praga corroe-lhe as entranhas? Agora, nada ameaça o ninho, ponderam outros... a não ser o nosso próprio peso indolente, queixoso, exigente e intolerante. O peso de quatro mil aves pousadas em um ninho sem que uma sequer esteja sustentado-o por baixo...
Martius de Oliveira









Estava eu voando por ai.... eis que senão quando, pousei neste texto poético e ético.
ResponderExcluirO engraçado é que passei o dia questionando esse mesmo tema, pois faço parte de uma rede e muitas vezes vivo as mesmas questões, lindos bentevis, lindos e modestos pardais, e aves de rapina aos montes ( e me vem você e BINGO!!!)
Colocou em palavras coisas que minha alma não conseguia concatenar.
Li, reli, fui dar uma volta.... Encontrei uma garrafa de Bordeaux francês perdida nos meus guardados.....
Algo me disse, isso merece um brinde. Abri e delicadamente enchi uma taça e e sentada em frente ao seu texto profundo e objetivo, lentamente reli, e entre um gole e outro senti minha alma entender cada palavra e permaneci embevecida nos galhos e gravetos... como se aprende aqui!
Os pássaros voam, mas o ninho vai permanecer, mesmo que, por qualquer situação ele um dia não exista na net, existirá na memória de quem aqui pousou, plainou, olhou do alto, e de alguma forma extraiu para si algum graveto e levou para algum outro ninho algo de construtivo, mesmo maior que seu bico.
Assim é.... para o meu irmão, dono do ninho, meu graveto tem o nome de gratidão!
Para você ergo aqui um brinde, solitário e raro, pois dificilmente me dou ao desfrute de tomar um vinho, mas você mereceu, ah! se mereceu!
Tim-tim
Grande abraço Martius!
Martius, obrigado mais uma vez por um texto tão maravilhosamente escrito.
ResponderExcluirNamaste!
Martius,
ResponderExcluirSempre aprendemos com a natureza, basta ter olhos de ‘ver’.
Mas, nem sempre temos a capacidade de trazer este aprendizado para o nosso dia-a-dia, e você fez isso, magistralmente.
Muito apropriado e ainda um lindo texto.
Parabéns a você e ao Blog MM.
Abraço de Luz e Amor!
Martius,pousei nesse ninho aconchegante e gostei.É que aqui os gravetos são na medida certa!
ResponderExcluirGrato pela partilha Martius,foi excelente,maravilhoso mesmo.
ResponderExcluirGrande abraço e Luz a todos.
Linda Materia Martius.Esta casa é um grande armazem e fabrica de galhinhos, nem maiores, nem menores, todos na medida certa, pois foram com estes galhinhos, que conseguimos visualizar, ir co-criando e buscando fazer nosso pequeno ninho de MESTRIA. Esta casa é igual aquele edificio "Balança mas não cai", primeiramente porque foi contruido com um material simples e barato, ou melhor..de graça, esse material se chama AMOR INCONDICIONAL E INTRAPESSOAL. Mas uma coisa é certa, tem uma força magnetica muito poderosa que sustenta esta fabrica. Descobrimos que nesta casa não tem só galhinhos, descobrinhos nesta casa, como fazer amizades amorosas e sadias, interagir com a verdade e poder saber que SOMOS UM, Beijos no coração e muito AMOR A GAIA
ResponderExcluirLindo Martius, reverencio a tua leveza de Ser!
ResponderExcluirO pássaro Anthonio, construtor desse ninho MM sabe mesmo qual o graveto que deve levar e qual deve deixar pelo caminho. Muitos gravetos ele entorta, quebra e encaixa para que não se perca.
Meu graveto hj é meu agradecimento a todos os membros, Anthonio, Thaís, e ao Pai Criador que nos fez com a felicidade possivel de criar nossos ninhos e abrigar neles aqueles que ainda voam sem saber pra onde.
A voce Martius meu abraço beeeeem apertado de imensa ternura.
Ao San: agradeço a taça de vinho, fiquei embriagado, ups, digo inebriado! Abraços!
ResponderExcluirBernardo, Joie, Nil e Hugo: Obrigado pelas palavras carinhosas. Calaram fundo no coração. A gente realmente aprende muito observando a natureza!
Arijuara: Obrigado por esse seu "galhinho"! Foi mais um para o meu ninho também!
Cira Munhoz: Um abraço muuuuuuiiiito apertado em você também! Eu quase senti meu rosto se aconchegar no seu ombro!
Namastê a todos!
Obrigado, muito obrigado Martius, pelo compartilhar do “insight” e de nos fazer refletir sobre nossa estada aqui e nossas “obrigações”. E que sejamos sempre : “ EU SOU A MINHA MESTRIA EM MIM “ , e o nosso ninho nunca, nunca será destruído pois já se consolidou nas esferas mais altas, e no fundo de nossos corações. Deu refúgio, ensinou e amou a todos que vieram de coração aberto , fortaleceu os pequenos para se tornarem fortes e alçarem seus vôos sozinhos.Agradecemos ao "Nosso Ninho" por continuar a ser o Farol que Ilumina as mais de 4.000 ” luzinhas multicoloridas”
ResponderExcluirQue leitura gostosa =D Simples e tão correta. Um belo apoio para os esforços do MM, e uma boa chamada pra reflexão. Aqui é uma parada obrigatória, mas não podemos chegar e ficar... Repor as energias, e procurar construir outros ninhos, pra os mais novos poderem reajustar os planos de voo... mas com certeza, essa rota é certa para os amigos. Visitarei sempre. Obrigada e bjs
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