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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

RESGATE DA CRIANÇA INTERIOR



(o som dá o tom)

Texto escrito em 24-12-2010

Os aprendizados mais valiosos são os mais simples e os que estão bem diante de nós.

Sempre aprendi muito com meu pai e continuo aprendendo. Ele sempre consegue com os exemplos mais elementares me fazer compreender as grandiosidades. Lembro-me até hoje que com dois imãs se repelindo ele me ensinou que jamais foi preciso ver para crer.

Ele se iniciou nos estudos recentemente, com alma e coração abertos ao novo e isso o permitiu constatar que tudo não era novo, e sim lembranças. Ele está acessando de forma impressionante e acelerada suas lembranças através das leituras, meditações e orações diárias. Ele também está se conectando com ele mesmo e transbordando Amor, Alegria e a serenidade que a compreensão traz. É maravilhoso conversar com ele e ver o brilho em seus olhos a cada re-descoberta.

Esses dias ele compreendeu amplamente o conceito de dualidade que tanto ouvimos falar através do exemplo do resgate da criança interior, que muito tem sido lembrado, de várias formas, em canalizações e em muitos dos textos aqui do MM.

É tão simples. Para alcançarmos o caminho da Unidade, para encontrarmos o retorno à nossa essência, devemos resgatar nossa criança interior. (assim ele disse.)

Nascemos Unos com o Todo, nascemos sem nenhum conceito do que é certo ou errado, ou seja, sem nenhum conhecimento e percepção da dualidade. Nascemos integrados com o Todo e vamos ‘perdendo’ essa integração nos fragmentando a cada "educação", a cada "aprendizado" captado do ‘externo’, de fora de nós. Aliás, até mesmo esse conceito de dentro e fora de nós fica enraizado e acaba por pré-determinar as crenças que vamos alimentando e desenvolvendo ao longo de nossa vida.

Enquanto criança não nos acostumamos com a beleza da vida, cada cor, sabor e textura é uma festa. Nos encantamos com a cor do céu e suas nuvens de algodão doce. Cada elemento da natureza é o cenário perfeito para nossa imaginação, para ser tudo que queremos ser. Não é preciso nenhum motivo para soltar uma gargalhada gostosa. Todo cachorro é o ‘au-au’ e todo gatinho é o ‘miau’ e sempre os recebemos com grande alegria e entusiasmo.

Mas as vezes choramos por vários motivos. Nos assustamos com esse mundo grandão, tão bem "mais grande" que a gente. É aí que entra o bicho-papão: "Não chora senão o bicho papão vai te pegar!".

Conhecemos o medo tão pequeninos e vamos nos fechando e enclausurando-nos num mundinho limitado de idéias, conceitos, limitações e generalizações. Nosso mundão tão grandão vira uma bolinha de gude que só podemos brincar depois de tomar banho.

Sim, na 3DD aprendemos dentro do que é certo ou errado, ou seja, dentro da dualidade. ‘Se botar o dedinho na tomada vai levar choque’. ‘É bom pra aprender’. Afinal, tudo vai se encaixar no lado bom ou no lado ruim. Se estamos aqui em num mundo onde prevalece a dualidade e o livre arbítrio, acabamos por ter que aprender com tudo isso, desde muito cedo.

O que ocorre é que pouco a pouco, passo a passo, a dualidade cria os conceitos e as crenças, que limitam todo e qualquer aprendizado novo. E quanto mais passos nessa direção, mais distantes vamos ficando de nossa verdadeira essência. Crescemos mas nosso cercadinho nos acompanha e usamos apenas os brinquedinhos dentro dele para compreender o mundo a nossa volta. Essa novidade é maravilhosa, mas eu ainda prefiro o aviãozinho do meu cercadinho...eu cresci brincando com ele, não deve haver brinquedo melhor nesse mundo.

Você se lembra qual foi a última vez que você riu até dar câimbra na barriga? Que soltou uma gargalhada sem motivo algum? Que se encantou com a beleza do laranja-rosado do céu e com as formas majestosas das nuvens? Que sentiu uma alegria imensa só por estar pertinho de alguém? Que falou o que pensou sem se importar com a opinião alheia? Que foi sincero? Que chorou de tanto rir? Que comeu um bolo de chocolate lambendo os dedos? Que foi realmente espontâneo?

E a última vez que olhou sem véu nenhum para esse mundo? Sem nenhuma ‘maldade’ que pudesse impregnar e manchar a sua visão? E alguma vez já tentou enxergar com a inocência dos olhos de uma criança?

É como simplesmente respirar, nós nascemos respirando perfeitamente e até isso vamos perdendo pelo caminho.

Vivemos em um mundo em que a pureza da inocência virou sinônimo de ingenuidade.
A volta à nossa essência depende do abandono de tudo que construímos dentro do nosso “cercadinho”, inclusive dele mesmo. É como se permitir dar os primeiros passinhos novamente, limpos e livres de qualquer crença, opinião, conceitos e julgamentos. É aceitar a mão que nos é oferecida a todo instante. É cair na gargalhada se der um passinho torto e cair no chão. É levantar-se novamente com toda GRAÇA, pois estamos aprendendo a caminhar para a UNIDADE.

É ser inocente, livre, leve e solto.

Quer saber, eu vou em busca do meu tesouro perdido! Lá na casinha na árvore eu posso ver e ser o Universo inteiro, esse mundão que cabe dentro do meu jardim. Eu vou correr, soltar pipa e comer pipoca. Vem comigo?

Resgatar nossa criança interior é permitir-se o retorno à nossa essência divina, integrada e plena com Tudo que É. Essa compreensão já foi passada para nós sob diversas formas e agora de maneira muito intensa através das canalizações.

“Trouxeram-lhe também as criancinhas, para que Ele as tocasse.
Vendo isto, os discípulos as repreendiam. Jesus, porém, chamou-as e disse: Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas. Em verdade vos declaro: quem não receber o Reino de Deus como uma criancinha, nele não entrará. (Este Reino de Deus significa estar em Unidade, e como criancinha significa estar LIVRE de todos os conceitos de uma mente limitada de 3DD.)

Thaís Vidal

(Colaboração de Anthonio Magalhães)

PS.:É com felicidade que trago aqui um trecho do filme o Pequeno Príncipe baseado no livro de Antoine de Saint Exupéry.

Uma obra prima das "verdades essenciais, que são invisíveis aos olhos. Só é possível ver e sentir com o coração."



E aqui o presente por escrito:

No quinto dia, sempre graças ao carneiro, este segredo da vida do pequeno príncipe me foi de súbito revelado. Pergunto-me, sem preâmbulo, como se fora o fruto de um problema muito tempo meditado em silêncio:

- Um carneiro, se come arbusto, come também as flores?
- Um carneiro come tudo que encontra.
- Mesmo as flores que tenham espinho?
- Sim. Mesmo as que têm.
- Então… para que servem os espinhos?

Eu não sabia. Estava ocupadíssimo naquele instante, tentando desatarraxar do motor um parafuso muito apertado. Minha pane começava parecer demasiado grave, e em, breve já não teria água para beber…

- Para que servem os espinhos?

O principezinho jamais renunciava a uma pergunta, depois que a tivesse feito. Mas eu estava irritado com o parafuso e respondi qualquer coisa:

- Espinho não serve para nada. São pura maldade das flores.
- Oh!

Mas após um silêncio, ele me disse com uma espécie de rancor:

- Não acredito! As flores são fracas. Ingênuas. Defendem-se como podem. Elas se julgam terríveis com os seus espinhos…

Não respondi. Naquele instante eu pensava: “Se esse parafuso ainda resiste, vou fazê-lo saltar a martelo”. O principezinho perturbou-me de novo as reflexões:

- E tu pensas então que as flores…
- Ora! Eu não penso nada. Eu respondi qualquer coisa. Eu só me ocupo com coisas sérias!

Ele olhou-me estupefato:

- Coisas sérias!

Via-me, martelo em punho, dedos sujos de graxa, curvado sobre um feio objeto.

- Tu falas como as pessoas grandes!

Senti um pouco de vergonha. Mas ele acrescentou, implacável:

- Tu confundes todas as coisas… Misturas tudo!

Estava realmente muito irritado. Sacudia ao vento cabelos de ouro:

- Eu conheço um planeta onde há um sujeito vermelho, quase roxo. Nunca cheirou uma flor. Nunca olhou uma estrela. Nunca amou ninguém. Nunca fez outra coisa senão somas. E o dia todo repete como tu: “Eu sou um homem sério! Eu sou um homem sério!” e isso o faz inchar-se de orgulho. Mas ele não é um homem; é um cogumelo!

- Um o quê?
- Um cogumelo!

O principezinho estava agora pálido de cólera.

Há milhões e milhões de anos que as flores fabricam espinhos. Há milhões e milhões de anos que os carneiros as comem, apesar de tudo. E não será sério procurar compreender por que perdem tanto tempo fabricando espinhos inúteis? Não terá importância a guerra dos carneiros e das flores? Não será mais importante que as contas do tal sujeito? E se eu, por minha vez, conheço uma flor única no mundo, que só existe no meu planeta, e que um belo dia um carneirinho pode liquidar num só golpe, sem avaliar o que faz, – isto não tem importância?!

Corou um pouco, e continuou em seguida:

- Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla. Ele pensa: “Minha flor está lá, nalgum lugar…” Mas se o carneiro come a flor, é para ele, bruscamente, como se todas as estrelas se apagassem! E isto não tem importância!

Não pôde dizer mais nada. Pôs-se bruscamente a soluçar. A noite caíra. Larguei as ferramentas. Ria-me do martelo, do parafuso, da sede e da morte. Havia numa estrela, num planeta, o meu, a Terra, um principezinho a consolar! Tomei-o nos braços. Embalei-o. E lhe dizia: “A flor que tu amas não está em perigo… Vou desenhar uma pequena mordaça para o carneiro… Uma armadura para a flor… Eu…”. Eu não sabia o que dizer. Sentia-me desajeitado. Não sabia como atingi-lo, onde encontrá-lo… É tão misterioso, o país das lágrimas!

(Trecho do livro: O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint Exupéry)


Sugestões de leitura:
SAINDO DA ILUSÃO - PARTE 3

SÉRIE: UMA CONVERSA AO PÉ DO OUVIDO - ABANDONADO NA SUA LUZ (5) - ANTHONIO MAGALHÃES

OS 4 PILARES DO CORAÇÃO - INFÂNCIA


http://minhamestria.blogspot.com/

15 comentários:

  1. Lindo o seu texto Thaís! Adorei!

    Beijo no coração de vocês.

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  2. Obrigada pelo texto Thais... obrigada pelo lembrete de mim mesma. Pequeno Principe sempre foi meu livro de cabeceira, embora muitos achavam um tanto infantil da minha parte - mas eu não me importo. Tem um significado muito importante pra mim, pois ainda procuro pela minha raposa e tento resitir a tantas cobras em meu caminho...rs (coisas de Denise...)
    Beijos

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  3. Pô voces estão inspirados mesmo hein, linda materia Thais/Antonio, muito gratificante estar por aqui, Grande abraço e muita Luz e Paz a Gaia

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  4. Obrigado, Thaís, por brindar a gente com mais esse texto "carregado de leveza"... Sim, isso é possível e você o faz divinamente.

    Parabéns! E viva nossos moleques interiores! :)

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  5. Thais obrigada, conseguiu RESGATAR SEU PAI, que bom pra voce, FICO MUITO FELIZ, texto escrito com o coraçao fez efeito em mim uma cascata de lagrimas.. precisa dizer mais???

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  6. "As flores são fracas, ingênuas, defendem-se como podem".

    Thais, eu achava que ingenuidade e fraqueza eram defeitos....defeitos grandões nesse mundo 'mais grande' do que eu...
    Ontem mesmo tive que me defender como pude. E sempre que faço isso, acho que fiz besteira de criança.Mas agora lendo seu texto, relembrando o pequeno príncipe...
    Obrigada Thais! Obrigada!

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  7. Para Martius, Arijuara e David:

    Muito obrigada pelas palavras! Nossos moleques interiores só estão esperando a gente dar as mãos para eles!

    Valeu pelo carinho!

    Beijos

    Thaís

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  8. Denise,

    Eu é que agradeço a oportunidade de trazer essa lembrança.
    O Pequeno Príncipe também tem um significado enorme para mim, ganhei de minha mãe e ela sempre me falava as lindas frases e aprendizados do livro.
    A raposa, se a cativarmos seremos eternamente responsáveis...ela sempre está nos esperando e lembrando de nós olhando os campos de trigo, e ficará feliz... :)
    As cobras bem que tentam mas a gente segue firme no caminho.
    Beijos

    Thaís

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  9. Ju,

    Ahhh as lágrimas! Que alegria no coração essas lágrimas que saem à revelia! Sou tão grata por saber que minhas palavras despertaram essa emoção!
    Meu pai está se re-descobrindo e é maravilhoso caminhar ao lado dele!
    Obrigada pelo carinho de suas palavras! Obrigada por permitir-se, se emocionar!
    Beijos!

    Thaís

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  10. Míriam,

    Este filme do Pequeno Príncipe é lindo demais, e essa cena me levou às lágrimas rever!
    As flores e nós nos defendemos como podemos, né?

    Permitir-se essa sensibilidade e pureza de coração é uma grandiosidade e o Pequeno Príncipe, como toda criança, nos lembra que o que aparenta fraqueza são nossas maiores virtudes!

    Obrigada você! Obrigada por se entregar ao sentimento!

    Beijos!

    Thaís

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  11. Thais, muito obrigado pelo texto, despertou lembranças boas da minha infância, e me lembrei de algumas orientações que recebi através de sonhos e de palavras que escutava quando criança.
    Muito Amor, Luz e Paz para todos!
    Wanderley

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  12. Wanderley,

    Puxa, que bom! Despertar lembranças boas da infância é sempre um belo presente e ainda relembrar orientações nesse momento, é valioso.
    Obrigada pelo seu comentário!
    Beijos!

    Thaís

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  13. Lindo o seu texto, Thaís!



    Muita Luz a todos.

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  14. Olá, Thais e Anthonio;

    Como já disse anteriormente, depois de começar a acompanhar o site-blog Minha Mestria, muitas coisas boas estão acontecendo para mim em termos de consciência. Não sei se já era algum "sinal", ou o que, mas desde quando fui morar em Minas, as lembranças da minha infância afloraram na minha mente, e até sonhos que eu tive, durante esse período foram lembrados.

    Penso que desde então aquele resgate começou a sondar meu espírito e muitas questões vieram á tona.

    Antes eu buscava desesperadamente encontrar uma pessoa que fosse aquele príncipe com todas as qualidades que nós mulheres desejamos: "o homem perfeito"... Aquele ser que salvaria a minha vida da solidão!

    Voltei para SP e minha busca continuou, e sempre vinha aquela desilusão, uma após a outra...

    Até que um dia resolvi para de procurar, foi como se alguém falasse na minha cabeça: "Pare de procurar a perfeição, vc nunca irá encontrá-la".

    A partir desse dia, constatei que eu estava cada vez mais caindo num "vazio existencial" e estava esquecendo do principal que era a mim mesma, o meu ser, a minha alma.

    Além disso, não existe a pessoa perfeita, temos é que saber conviver e respeitar as diferenças de cada um.

    Parei de procurar... Entendi que se algum dia minha alma gêmea aparecer, será uma surpresa, sem pré-determinações, sem procurar, simplesmente SURGIRÁ...

    E ainda tem aquela questão colocada pela Josi em uma das suas postagens de que há a hipótese de essa alma nem está encarnada, portanto, estou agora no meu momento de entendimento, mas ligada às questões do meu ser, do meu espírito e buscando maiores conhecimentos, resgatando a minha infância tão preciosa, a qual me trás sempre boas recordações, buscando o Amor, mas aquele Amor puro sem rótulos, o Amor ao meu semelhante, o Amor incondicional...

    Aqui vai um pequena reflexão que escrevi certa vez e que resolvi postá-lo aqui.

    "Penso na flor como um ato de generosidade, respeito, Amor.

    O mundo precisa de mais Amor, mais consciência.

    As pessoas precisam de dias especiais todos os dias, porque todos os dias podem ser especiais, depende de cada um de nós.

    Vamos acreditar nisso"...

    P.S.: Thais muita luz a vc! Estou adorando seus textos e estão me fazendo bem. Muita luz a vc e ao Anthonio.

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  15. Oi, Taty!

    Fico muito feliz por você estar despertando e começando a trilhar o caminho para a sua Unidade.
    Você verá o quão gratificante é constatar que todas as respostas que sempre procuramos "fora" estão e sempre estiveram dentro de nossos corações.
    Agora, é viver este AQUI e AGORA em sua plenitude, sem expectativas, com muita CONFIANÇA e honestidade com você mesma em primeiro lugar.
    Obrigada e muita Luz para você também!

    Um grande abraço pra você, meu e do Anthonio! :)

    Thaís

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