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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

MARIA – LA SALETTE – FRANÇA - 1846




Em meados de Setembro de 1846, um camponês de Ablandins, Pedro Selme, tem o pastor adoentado. Desce a Corps, até a casa de um amigo, o carroceiro Giraud: "Empresta-me o teu Maximino por alguns dias", diz-lhe. "Maximino, o pastor? Ele é demasiado irresponsável para tanto !..." No entanto, Maximino, a 14 de Setembro, vai para Ablandins.

No dia 17 encontra-se com Mélanie na aldeia. No dia 18 vão com os rebanhos para o monte Planeau. À tarde, Maximino tentou meter conversa com Mélanie. Ela não se mostra interessada. É tímida e de poucas falas. Descobrem, no entanto, um ponto em comum: são ambos de Corps.


Nas Pastagens da Montanha


No sábado, 19 de setembro de 1846, bem cedo, as duas crianças sobem a encosta do monte, cada uma com seu rebanho de quatro vacas, sendo que Maximino tinha também uma cabra e o cão Lulu. O sol resplandecia sobre as pastagens... Ao meio dia, no fundo do vale, o sino da igreja da aldeia toca a hora do Angelus. Os pastores então conduzem as vacas até a "fonte dos animais", uma poça de água formada pelo regato que desce pelo vale do Sézia. A seguir, conduzem os rebanhos à pradaria chamada "le chômoir", nas encostas do Monte Gargas. Faz calor e os animais põem-se a ruminar.

Maximino e Mélanie tornam a subir pelo vale até a "fonte dos homens". Junto à fonte, tomam uma refeição frugal: pão e um pedaço de queijo da Sabóia. Outros pastorinhos, que pastoreiam mais abaixo, juntam-se aos dois e metem conversa. Depois deles partirem, Maximino e Mélanie atravessam o regato e descem alguns passos até dois bancos de pedras empilhadas, junto à poça seca de uma fonte sem água: é a "pequena fonte". Mélanie põe a sacola chão, e Maximino põe o casaco e a merenda em cima duma pedra.


Uma estranha claridade

Ao contrário do costume, as duas crianças estendem-se na relva... e adormecem. O tempo está agradável com este sol de final de Verão. No céu não há nem uma nuvem. O murmúrio do regato ajuda à calma e ao silêncio da montanha. O tempo passa!...

Bruscamente Mélanie acorda e sacode Maximino: "Maximino, Maximino, vem depressa, vamos ver as nossas vacas...Não sei onde andam!". Rapidamente sobem a encosta oposta ao Gargas. Voltando-se, têm diante de si toda o verde dos Alpes: as vacas lá estão, ruminando calmamente. Os dois pastores ficam tranquilos. Mélanie começa a descer. A meia encosta pára e, com o espanto, deixa cair o cajado:

"Maximino, olha ali, aquele clarão!"

Junto à pequena fonte, sobre um dos bancos de pedra... um globo de fogo.

"É como se o sol tivesse caído ali" - diria mais tarde Mélanie.

No entanto, o sol continuava a brilhar num céu sem nuvens. Maximino corre gritando:

"Onde está? Onde está?"

Mélanie estende o dedo para o fundo do vale onde haviam dormido. Maximo pára junto dela, petrificado de medo e diz:

"Segura o teu cajado, vá! Eu seguro o meu e dou-lhe uma cacetada se 'ele' nos fizer alguma coisa".

O clarão mexe, agita-se, roda sobre si mesmo. Faltam palavras às duas crianças para exprimir a impressão de vida que irradia desse globo de fogo. Uma mulher aparece nele, sentada, a cabeça entre as mãos, os cotovelos sobre os joelhos, numa atitude de profunda tristeza.

A Bela Senhora fala aos dois pastorinhos.

A bela senhora ergue-se. Os dois não se mexeram. E diz-lhes, em francês:

Aproximai-vos, meus filhos, não tenhais medo, estou aqui para vos contar uma grande novidade!

Então, as crianças descem para junto dela.

Olham-na. Não para de chorar.

"Dir-se-ia que era uma mãe a quem os filhos tinham batido e que tinha fugido para a montanha, para chorar" - contará também mais tarde, Mélanie.

A Bela Senhora é alta e toda de luz. Veste-se como as mulheres da região: vestido comprido, grande avental à cintura, lenço cruzado e amarrado atrás, touca de camponesa. Rosas coroam-lhe a cabeça, bordam-lhe o lenço e ornamentam-lhe o calçado. Na fronte a luz brilha como um diadema. Sobre os ombros carrega um pesado colar. Um colar mais leve prende sobre o peito um crucifixo resplandecente, com um martelo de um lado, e de outro, uma tenaz.

A bela senhora fala aos dois pastores.

" Ela chorou durante todo o tempo que nos falou".

Juntos ou separadamente, as duas crianças repetem as mesmas palavras, com ligeiras variantes que não alteram o sentido. E isto, quaisquer que sejam os seus interlocutores: peregrinos ou simples curiosos, pessoas importantes ou da Igreja, investigadores ou jornalistas. Quer sejam favoráveis, sem rodeios ou malévolos, eis o que lhes é transmitido:

Vinde, meus filhos, não tenhais medo, aqui estou para vos contar uma grande novidade!

"Nós ouvíamo-la, não pensávamos em nada".

Como Maximino e Mélanie, deixemos que ressoe em nós o que ela disse na montanha.

Com eles, escutemo-la contemplando o Crucifixo resplandecente de glória sobre o peito.

Se o meu povo não quiser submeter-se, sou forçada a deixar que se abata o braço de meu Filho. É tão forte e tão pesado que não o posso mais SUSTER.

Há muito que sofro por vós!

Se quero que meu Filho não vos abandone, tenho de lhe pedir por vós constantemente, mas vós não fazeis caso. Bem podeis rezar, fazer o que quiserdes, jamais podereis recompensar os trabalhos que tenho tido convosco.

Dei-vos seis dias para trabalhar, reservei-me o sétimo, e não mo querem conceder! É isso que torna tão pesado o braço de meu Filho

Se a colheita se estraga a culpa não é senão vossa. Bem vos fiz ver o ano passado com as batatas e vós não fizestes nenhum caso! Pelo contrário, quando encontráveis batatas estragadas, praguejáveis e com o nome do meu Filho pelo meio. Isso vai continuar e este ano, pelo Natal, não tereis nenhumas.

A palavra "batatas" (em francês: 'pommes de terre'), deixa Mélanie intrigada. No dialecto da região, diz-se "truffa". E a palavra 'pommes' (maçãs) lembra-lhe apenas o fruto da macieira. Volta-se então para Maximino, para lhe pedir uma explicação. Mas a senhora adianta-se:

Não compreendeis, meus filhos? Vou dize-lo de outro modo.

Retomando, pois, as últimas frases no dialecto de Corps, língua falada correntemente por Maximino e Mélanie, a Bela Senhora prossegue:

Se tiverdes trigo, não deveis semea-lo. Todo o que semeardes será devorado pelos bichos, e o que produzir ficará em pó quando for malhado.

Virá uma grande fome. Antes que ela chegue, as crianças menores de sete anos serão acometidas de grande tremor e morrerão nas mãos das pessoas que as transportarem. Os outros farão penitência pela fome. As nozes ficarão vazias, as uvas apodrecerão.

De repente, a Bela Senhora continua a falar, mas somente Maximino a ouve; Mélanie vê que os lábios mexem, mas não ouve nada. Alguns instantes depois, Mélanie por sua vez, começa a ouvir, enquanto Maximino, que nada mais ouve, faz girar o chapéu na ponta do cajado ou, com a outra ponta do cajado, empurra as pedrinhas que estão diante dele.

"Mas nem sequer uma tocou nos pés da Bela Senhora!", desculpar-se-ia alguns dias mais tarde.- "Ela disse-me qualquer coisa, ao mesmo tempo que dizia: Tu não dirás nem isto, nem aquilo". Depois, não ouvi mais nada, e durante esse tempo, brincava".

Assim, a Bela Senhora falou em segredo a Maximino e depois a Mélanie. E novamente, os dois em conjunto, ouvem as seguintes palavras:

Se se converterem, as pedras e rochedos transformar-se-ão em montes de trigo, e as batatinhas serão semeadas nas terras.

Rezais como deve ser, meus filhos?

"Não muito, Senhora", respondem as duas crianças.

Ah! Meus filhos, é preciso rezar bem, à noite e de manhã, dizendo ao menos um Pai Nosso e uma Avé Maria quando não puderdes rezar mais. Quando puderdes rezar mais, dizei mais.

Durante o verão, só algumas mulheres mais idosas vão à Missa. Os outros trabalham ao domingo, durante todo o verão. Durante o inverno, quanto não sabem o que fazer, não vão à Missa senão para troçar da religião. Durante a Quaresma vão ao matadouro como cães.

Nunca vistes trigo estragado, meus filhos?

"Não, minha Senhora" , responderam eles.

Então, dirigindo-se a Maximo:

Mas tu, meu filho, tu deves tê-lo visto uma vez, perto do Coin, com teu pai. O dono da campo disse a teu pai que fosse ver o trigo estragado. Ambos fostes até lá. Ele tomou duas ou três espigas nas mãos, esfregou-as e tudo caiu em pó. Ao voltardes, quando estáveis a meia hora de Corps, teu pai deu-te um pedaço de pão dizendo-te: "Toma, meu filho, come pão neste ano ainda, pois não sei quem dele comerá no ano próximo, se o trigo continuar assim.

Maximino responde:-

"É verdade, Senhora, agora lembro-me. Há pouco já não me lembrava mais".

E a Bela Senhora conclui, não mais em dialecto, mas sim em francês:

Pois bem, meus filhos, transmitireis isso a todo o meu povo.


Reconhecimento pela Igreja


A 19 de setembro de 1851, D. Felisberto de Bruillard, Bispo de Grenoble, finalmente publica uma "circular doutrinal".

Eis a passagem principal: "Segundo o nosso julgamento, a aparição da Santíssima Virgem a dois pastores, a 19 de setembro de 1846, sobre uma montanha da cadeia dos Alpes, situada na Paróquia de La Salette, no arquidiocese de Corps, traz em si mesma todos as características da verdade, e os fiéis têm fundamento para acreditar nela como indubitável e certa."

A repercussão desta circular é enorme. Numerosos Bispos determinam que seja lida nas paróquias das respectivas dioceses. A imprensa toma conta dela para o melhor e o pior. Traduzida em diferentes línguas, é publicada nomeadamente no Osservatore Romano de 4 de Junho de 1852. Cartas de felicitações afluem à Diocese de Grenoble.

A experiência e o sentido pastoral de D. Felisberto de Bruillard não pára por aqui. A 1 de Maio de 1852 publica nova circular, anunciando a construção de um santuário na montanha de La Salette, e a criação de um corpo de missionários diocesanos a quem dá o nome de "Missionários de Nossa Senhora de La Salette". Mas acrescenta: "A Santíssima Virgem apareceu em La Salette para o mundo inteiro, quem pode duvidar disso?". O futuro irá confirmar e ultrapassar estas expectativas. A passagem estava assegurada. Pode pois dizer-se que Maximino e Mélanie cumpriram a sua missão.

Em 19 de Setembro de 1855, D. Gonoulhiac, novo bispo de Grenoble, resumia desta forma a situação: "A missão dos pastores acabou, agora começa a da Igreja". Hoje, numerosos são os homens e mulheres de todas as raças e de todos os países que encontraram na mensagem de La Salette o caminho da conversão, o aprofundamento da fé, o dinamismo para a vida quotidiana, as razões do compromisso com e em Cristo ao serviço dos homens.


http://www.avisosdoceu.com.br/La_Salette.php

http://minhamestria.blogspot.com/

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